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Para representante do ONU-Habitat, cidades inteligentes requerem abordagem holística

A convite do Crea-GO, Alain Grimard palestrou durante o lançamento da 77ª Soea sobre “Cidades inteligentes e resilientes”

Publicado: 14/02/20 11:48
Fonte: Assessoria de Imprensa do Crea-GO


[noticia: para-representante-do-onu-habitat-cidades-inteligentes-requerem-abordagem-holistica] Alain Grimard palestra sobre “Cidades inteligentes e resilientes” (Fotos: André Almeida, Edinaldo Rufino e Marck Castro/Confea) - PALESTRA_ALAIN_GRIMARD_SOEA_01.jpg Alain Grimard palestra sobre “Cidades inteligentes e resilientes” (Fotos: André Almeida, Edinaldo Rufino e Marck Castro/Confea)

Oficial sênior do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e responsável pelo escritório da América Latina, Caribe e Países do Cone Sul, Alain Grimard foi o responsável pela palestra “Cidades inteligentes e resilientes”, ministrada a cerca de 800 lideranças do Sistema Confea/Crea e Mútua, durante a solenidade de lançamento da 77ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (77ª Soea).

O evento fez parte da programação do 9º Encontro de Líderes Representantes, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília-DF, no dia 12 de fevereiro.

O acesso à cidade como um direito humano e necessidade de transparência nas tomadas de decisão foram dois dos pontos mencionados por Alain Grimard que, aliados à tecnologia, devem ser levados em consideração nas discussões sobre cidades inteligentes.

“Temos ressaltado a necessidade de uma abordagem mais holística sobre a inteligência das cidades – a governança deve ser inteligente, o planejamento deve ser inteligente, a participação social deve ser inteligente e também a infraestrutura deve ser inteligente”, disse.

Em sua palestra, Grimard sustentou que o conceito de cidades inteligentes – smart cities – é importante, mas deve ser ampliado e agregar noções de direitos humanos, direito à cidade e transparência nas tomadas de decisões, que auxiliem na resolução dos diversos problemas sociais dos espaços urbanos.

“Para o ONU-Habitat, cidade inteligente puramente tecnocentrada não será realmente inteligente. Uma cidade ser inteligente também significada ser focada nas pessoas e na sustentabilidade em suas três dimensões: social, econômica e ambiental”. De acordo com dados apresentados por Grimard, 90% da população brasileira vive em áreas urbanas.

Possibilidades de cooperação

Como ponto positivo, Grimard avalia que o Brasil dispõe de conhecimento, tecnologia e recursos humanos para realizar essa construção. “E o Confea e os 27 Creas são veículos exemplares ideais para fazer avançar as experiências práticas e construir melhor o conhecimento”, disse, antes de mencionar as três grandes frentes em que enxerga possibilidade de parceria entre ONU-Habitat e o Sistema profissional: planejamento, big data e mobilidade.

Planejamento

Os municípios brasileiros são obrigados por lei a fazerem seus planos diretores. “Mas, infelizmente, até 2015, apenas 50% dos municípios cumpriam essa determinação”, apresentou. “As grandes cidades têm competência, recursos humanos, para planejar adequadamente, mas muitos municípios no Brasil não conseguem criar seu plano diretor, que poderiam ajudar muito no desenvolvimento sustentável urbano”.

De acordo com Grimard, planos diretores são fundamentais para solucionar problemas de drenagem e esgoto, por exemplo. O oficial do ONU-Habitat mencionou, ainda, outros instrumentos de planejamento – Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), terrenos e planos parciais, outorga onerosa do direito de construir – e ressaltou: “mas, antes de tudo, deve se reconhecer que há desigualdade e carência na realidade urbana”.

Big data

Em sua explanação, Grimard defendeu que a tecnologia da informação e uso inteligente de dados podem ser cruciais na definição das prioridades das políticas públicas. Informações demográficas, mapeamento, apontamento das características dos equipamentos públicos e monitoramento dos serviços públicos pela população foram alguns exemplos mencionados. “Se se organizam as informações sobre as sinalizações das vias, esgotamento sanitário, coleta de lixo e limpeza urbana, fica mais fácil direcionar, especializar e planejar as ações necessárias”.

Mobilidade

De acordo com Grimard, a rede rodoviária do Brasil cresceu 172% entre 1992 e 2014. “Isso não é sustentável, tanto do ponto de vista de trânsito, como de poluição”, avaliou. “A mobilidade tem que ter sua eficiência maximizada e os engenheiros são essenciais nessa construção”, disse, antes de citar uma frase dita por Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, segundo quem “uma cidade desenvolvida não é o lugar onde as pessoas pobres têm carros, mas onde os ricos utilizam transporte público”.

Grimard encerrou sua apresentação ressaltando que o ONU-Habitat e o Sistema Confea/Crea e Mútua compartilham os mesmos parceiros: governos locais e estaduais, universidades e sociedade civil. “Podemos cooperar na implementação de projetos e dos planos diretores, com intercâmbio sobre melhores práticas e por meio de participação e realização de eventos, prêmios e campanhas globais”, disse.

“O Brasil é um país muito urbanizado. O que precisamos não é aumentar a quantidade de espaço urbano, mas, sim, aprimorar sua qualidade. Obviamente, os engenheiros têm um papel importantíssimo no aumento da qualidade de vida e sustentabilidade das cidades”, destacou o representante do ONU-Habitat.

A apresentação de Alain Grimard pode ser acessada aqui.

77ª Soea

A 77ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia será realizada no Centro de Convenções de Goiânia, de 2 a 5 de agosto, com o tema “Cidades: Tecnologia e Sustentabilidade”. São esperados cerca de 5 mil participantes para este, que é o maior evento da Engenharia, da Agronomia e das Geociências do Brasil. Mais informações e inscrições no site www.soea.org.br. (Com informações de Beatriz Craveiro/Equipe de Comunicação do Confea)